O varejo de São Paulo entrou numa nova era fiscal. E tem uma verdade desconfortável aqui: se você não revisou custo, tributação e margem nos últimos dias, existe uma boa chance de a sua empresa estar perdendo dinheiro agora mesmo — sem perceber.
O fim do ICMS-ST não é “mais uma mudança de regra”. É uma mudança na matemática do seu preço.
- Antes: Boa parte do imposto estava “resolvida” na compra.
- Agora: Ele aparece na venda — e, quando aparece na venda, ele aparece comendo margem.
A virada de chave já começou (e veio em duas ondas)
Muita gente acreditou que teria tempo para se adaptar. Só que a mudança não veio “um dia”; veio em ondas, com data, portaria e efeito imediato no caixa.
1ª onda — Janeiro/2026
A Portaria SRE 64/2025 retirou do regime de ST diversas categorias, como:
- Medicamentos;
- Bebidas alcoólicas;
- Alimentos;
- Lâmpadas;
- Autopeças.
2ª onda — Abril/2026
A Portaria SRE 94/2025 revoga a ST para todo o setor de perfumaria e higiene pessoal.
Na prática, para mais de 160 categorias de produtos (CESTs), o imposto deixou de ser antecipado pelo fornecedor e passou a ser sua responsabilidade no momento da venda. E é aqui que a maioria erra: continuam operando com preço velho em regra nova.
Por que seu preço de venda pode estar te dando prejuízo?
No regime antigo, a lógica era confortável (e perigosa): você comprava mais caro (com ST embutida) e, na venda, não tinha o “susto” do ICMS daquela operação. Agora a lógica inverteu — e isso muda tudo.
1. O custo de compra DEVE cair
Sem retenção de ST, o fornecedor não tem mais motivo para vender com o imposto antecipado embutido. Se você continua comprando pelo preço antigo, está pagando por um imposto que não existe mais na entrada. Isso não é apenas “negociação ruim”; é margem perdida na origem.
2. O imposto na saída apareceu
Agora você precisa destacar e recolher ICMS próprio sobre cada venda. Se você mantém o mesmo preço de venda sem recalcular esse novo débito, o imposto leva sua margem embora. Você fica preso entre duas derrotas: ou sobe o preço e perde competitividade, ou mantém o preço e vende no prejuízo sem perceber.
O perigo invisível: a bitributação do estoque
Aqui está a armadilha que mais drena caixa: se você tem produtos em estoque comprados antes da virada, você já pagou ICMS-ST sobre eles. Ao vender agora, sob a regra nova, o sistema cobra ICMS na saída novamente. Isso é bitributação direta.
A saída existe: crédito de inventário. Você tem o direito de recuperar o imposto pago antecipadamente sobre itens que ainda estão no estoque. O problema é que fazer isso manualmente (cruzando NCM, CEST, saldo e data) leva semanas. Na prática, muitas empresas não fazem e acabam pagando duas vezes.
Abril: o mês fiscal mais denso dos últimos anos
O fim do ICMS-ST para perfumaria é só a ponta do iceberg. Abril concentra um “combo” que muda operação, nota e preço ao mesmo tempo:
- Aumento de 10% no PIS/COFINS para itens fora da cesta básica;
- Início da exibição de IBS/CBS nas notas fiscais (Reforma Tributária);
- Fim do cupom fiscal para vendas PJ (exigência de NF-e modelo 55).
Como proteger seu lucro (sem planilha e sem achismo)
Não tente resolver essa transição “na unha”. O erro não é se confundir; o erro é demorar. A Solutta criou ferramentas para fazer o trabalho pesado com segurança:
- Simulador de Inventário: Identifica em minutos quanto de crédito de ICMS-ST você pode recuperar do estoque atual para abater em guias futuras.
- Precificador Comercial: Recalcula o preço com base no novo custo sem ST, ICMS próprio na venda e impactos federais, sugerindo o preço de equilíbrio ideal.
Erros mais comuns que drenam seu caixa:
- Aceitar o preço antigo do fornecedor: Pagar por um imposto que não está mais na nota de entrada.
- Não reprecificar imediatamente: Descobrir tarde demais que o faturamento subiu, mas o caixa encolheu.
- Ignorar o crédito de estoque: Deixar dinheiro na mesa ao não recuperar o que foi pago antecipadamente.
- Gestão manual: Tentar gerenciar NCM/CEST e regras complexas em planilhas sujeitas a erro humano.
O diagnóstico é claro: Se você quer parar de adivinhar e descobrir onde sua margem está vazando, aja agora. Sua margem pode já ter mudado, mesmo que o seu preço ainda seja o mesmo.